quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Pedacinhos do Céu - Waldir de Azevedo

Entre as suas mais belas e apaixonantes músicas, podemos lembrar Pedacinhos do Céu, melodia que extravasa puro sentimento, transborda emoções, colhidas lá do fundo do coração, um devaneio de ternura. Divina! Esta música ele a compôs para homenagear a sua filha, Míriam, logo após o seu falecimento, com apenas 18 anos de idade, em desastre automobilístico. Em 1951 Waldir gravou “PEDACINHOS DO CÉU” que também esteve nas paradas de sucesso. Era a música preferida do Waldir. Versão Orignal, executada pela mestre:



Partitura: http://www.samba-choro.com.br/partituras/pordatacontribuicao/vermusica?mid=58&pos=43

Uma versão mais elaborada executada por Anderson Lima.
 



Muita gente conhece a música Pedacinhos do Céu, de Waldir de Azevedo, muito tocada pelos regionais e que foi sucesso não só nacional, como internacional. Porém poucos sabem ou ouviram dizer que ela tem letras, uma poesia maravilhosa, que merece ser mostrada, para que não fique esquecida. E por que não ser cantada, quando for executado este maravilhoso chorinho?
A música imorredoura de Waldir Azevedo fica mais adornada com o canto das letras lindas, de Miguel Lima, dando-lhe um toque sentimental muito gostoso de ser ouvido. Eis as letras, uma belíssima poesia:
PEDACINHOS DO CÉU
Waldir Azevedo e Miguel Lima
Sei que me amas com grande fervor,
há em teus lábios mil frases de amor,
entretanto, eu preciso ouvir a voz da razão
para saber se direi sim ou não.
És para mim um formoso troféu,
vejo em ti pedacinhos do céu,
porém preciso refletir mais um pouquinho
para não desiludir ao meu dorido coração,
que ainda sente a emoção de uma ingratidão.
Afinal, com ardor, com fervor e muito apreço,
eu agradeço a beleza, a nobreza e a grandeza do troféu.
julgo-me feliz pois sempre quis
e tudo fiz para exaltar um grandioso amor
e incluir neste chorinho, entre beijos e carinhos,
pedacinhos lá do céu.
Não deixem de ouvir agora a música incrível de Waldir Azevedo, cantada em magnífica interpretação, com muita sensibilidade, pela mineira, Cida Matos, acompanhada do excelente regional – da terceira idade – que dá também um verdadeiro show imperdível.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Como escolher um cavaquinho


Os cavaquinhos são todos diferentes

Os cavaquinhos, ou são fabricados artesanalmente em pequenas séries num máximo de 5 a 10 unidades (mais caros), ou industrialmente em séries de maiores quantidades (mais baratos). Estes últimos nem trazem já a etiqueta de fabrico colada no seu interior, para serem mais baratos e fáceis de comercializar, o que, no meu entender, é um grande erro e um risco para a indústria nacional. Mas adiante...
Não há por isso dois cavaquinhos iguais! Uns mais outros menos bonitos nas nuances das madeiras e, mais importante que isto, uns mais outros menos sonantes! E é este o aspecto, se não o único aspecto para além do seu preço, que devemos ter em conta na escolha de um cavaquinho. Preparem-se portanto para ter que escolher, decidir, de entre vários, qual é o que vão comprar e depois poder tocar durante muitos anos!   
    
A escolha acertada   
    
Para a compra de um cavaquinho de 4 cordas simples, as minhas recomendações são as seguintes:
1- de fabrico nacional, com um bom acabamento, sem empenos no braço ou fendas nas madeiras;
2- cabeça com carrilhão que apertem e desapertem com facilidade (o leque dá mais trabalho e afina pior) ;
3- de meio tampo (um pouco mais caro mas suja-se e estraga-se menos);
4- que tenha uma sonoridade clara (sem vibrações parasitas) ;
5- que tenha uma sonoridade bem viva em todas as posições da corda mais alta, a primeira a contar de baixo para cima;

Para determinar a escolha nesta última característica (5-) basta, depois de termos posto os cavaquinhos a testar na afinação preferida , fazer o seguinte exercício:
a) faz-se soar esta corda solta, em cada um, e avalia-se a nitidez e duração do som produzido. Quanto mais nítido e duradoiro for o som, melhor, claro;
b) depois faz-se soar esta corda no último trasto (o 12º), a mesma nota mas uma 8ª acima, em cada um, e avalia-se a nitidez e duração do som produzido. Quanto mais nítido e duradoiro for o som, melhor;
c) faz-se agora a mesma coisa mas no 7º trasto
Quanto mais nítido e duradoiro for o som, melhor;
Este último teste é o mais difícil e, frequentemente, encontramos casos em que a corda "abafa" mais o som, este dura menos tempo, no 7º trasto que no 12º. Claro que isto não é aceitável num bom cavaquinho.
Chegados aqui, não será fácil haver a necessidade de desempate. Mas, se isto acontecer,
d) faz-se o mesmo exercício de comparação no 5º trasto  e depois os exercícios anteriores na corda seguinte .
Escolhido o vencedor deste teste, verifique que não há vibrações parasitas testanto várias posições nas outras cordas. E pronto!
Já agora aproveitem e comprem-lhe um estojo resistente, acolchoado. Ele bem o merece!

Acordes para Cavaquinho


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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Harmonia Tonal I


UNIDADE I
I. Noções básicas para o estudo da harmonia:
Para o curso de harmonia são requisitos básicos o conhecimento das escalas maiores e menores em todas suas formas tradicionais, i.e. escalas maiores, escalas menores nas formas melódica e harmônica. O conhecimento de todos os intervalos e suas inversões, prática de leitura nas claves de sol e fá além das
claves de dó (nas 3 a  e 4 a  linhas). No aspecto rítmico é necessário o conhecimento de ritmo nos compassos simples e nos compassos compostos.

1. Notação no pentagrama:
A notação no pentagrama que geralmente é usada no curso de harmonia, em especial para os exercícios, utiliza-se das claves de sol e de fá. No seguinte exemplo tem-se uma equivalência das alturas e da nota dó
3.
1.1 claves de fá e sol e relação de alturas;


1.2 escala geral dó 3;
A escala geral utilizada para a referência de notas específicas e adotada no curso de harmonia toma como nota referência o dó 3  (o dó central do piano). No seguinte exemplo temos uma equivalência entre as diversas oitavas na escala geral:


2. Intervalos.
A classificação de intervalos obedece a distância existente entre duas notas musicais. Assim podemos definir que um intervalo musical é a distância de altura entre dois sons musicais, tanto do ponto de vista puramente auditivo quanto do ponto de vista gráfico (da notação musical). Os intervalos podem ser classificados de acordo com o tipo de textura musical:
Intervalo melódico é formado por duas notas sucessivas e pode ser ascendente ou descendente. Ainda pode ser formado ou não por intervalo conjunto (são notas consecutivas) ou disjunto (notas não consecutivas).
Intervalo harmônico é formado por duas notas simultâneas.
Intervalos simples e compostos: os intervalos simples são os que estão contidos no âmbito de oito notas, ou seja, uma oitava. Já os intervalos compostos são aqueles que extrapolam o âmbito de oito notas consecutivas, ou uma oitava



2.1 Classificação dos intervalos.
A classificação dos intervalos é feita de acordo com o número de notas contidas no intervalo. Por exemplo, dó–ré é classificado como uma 2a  pois contém duas notas; sol–ré, é classificado como uma 5a  pois contém cinco notas. Devemos lembrar que para a classificação dos intervalos não consideramos acidentes os acidentes aplicados à cada nota ou diferentes claves.
dó 3  –ré3  segunda
dó 3 –mi3  terça
dó 3 –fá3 quarta
dó 3 –sol3  quinta                intervalos simples
dó 3 –lá3  sexta
dó 3 –si3  sétima
dó 3 –dó4 oitava
dó 3 –ré4 nona, 9ª
dó 3 –mi4 décima, 10ª intervalos compostos
dó 3 –fá 4 décima primeira,



2.2 Qualificação de intervalos.
Os intervalos são qualificados de acordo com o número de tons e semitons de
que são compostos. Uma qualificação básica de intervalos é a seguinte:
Intervalos Justos:
1a , 4a , 5a, 8a.
Intervalos maiores ou menores:
2a, 3a, 6a, 7a

. Segue uma pequena tabela com os intervalos simples e sua qualificação:
Intervalos Justos
Uníssono: ou 1a  justa, consiste da repetição da mesma nota.
4a  justa: é formada por dois tons e um semitom.
5a  justa: é formada por três tons e um semitom.
8a justa: é formada por cinco tons e dois semitons.
Intervalos maiores e menores:
2a  maior: formada por um tom.
2a  menor: formada por um semitom.
3a maior: formada por dois tons.
3a  menor: formada por um tom e um semitom.
6a  maior: formada por quatro tons e um semitom.
6a  menor: formada por três tons e dois semitons.
7a  maior: formada por cinco tons e um semitom.
7a  menor: formada por quatro tons e dois semitons.


2.4 Intervalos aumentados e diminutos.
Intervalos aumentados são aqueles que têm na sua constituição um semitom a mais que os intervalos justos ou maiores.
Intervalos diminutos são aqueles que têm na sua constituição um semitom a menos que os justos ou menores.
Ainda podemos qualificar alguns intervalos como superdiminutos ou superaumentados. Os superdiminutos são aqueles que têm um semitom a menos que os diminutos; e os superaumentados têm um semitom a mais que os aumentados.


2.5 Inversão de intervalos.
Inverter um intervalo consiste em trocar a posição das notas, isto é, transportar a nota inferior do intervalo uma oitava acima, ou a nota superior uma oitava abaixo.
Quando invertemos um intervalo melódico, a seqüência das notas não se altera. Ou seja, a primeira nota do intervalo original continua sendo a primeira nota do intervalo invertido.6 Quando da inversão de intervalos ocorre uma mudança na classificação e qualificação dos intervalos. Assim, os intervalos de 2a tornam-se 7a
, os de 3a tornam-se 6a, os de 4a  tornam-se 5a, os de 5a  tornam-se 4a, os de 6a tornam-se 3a, e os de 7a  tornam-se 2a. Resumindo, a soma do intervalo original e sua inversão deve ser igual a nove, por exemplo, o intervalo de 2a  e sua inversão 7a, somados igualam 9.


A qualificação de cada intervalo na sua inversão muda de:
Maior para menor
Menor para maior
Aumentado para diminuto
Diminuto para aumentado
Mas lembre-se que somente os intervalos justos permanecem justos.


2.6 Intervalos compostos.
São os intervalos que ultrapassam o limite da oitava, ou oito notas. Podemos entender que um intervalo composto é um intervalo simples acrescido de uma ou mais oitavas.7 Para modificar um intervalo simples em composto: acrescenta-se uma ou mais oitavas ao intervalo simples; e para modificar um intervalo composto em simples: subtraem-se as oitavas até chegar-se a um intervalo simples. A classificação permanece a mesma nos intervalos compostos, com exceção da classificação numérica.


Atenção: no estudo da harmonia tonal consideramos a classificação dos intervalos sempre em relação a um intervalo simples, mesmo que em um determinado acorde esteja grafado um intervalo composto.

3. Tonalidades
3.1 A escala maior:
As escalas maiores se originam da adoção do modo jônio como modelo ou forma de escala mais estável na música. Este modo litúrgico passou a ser estabelecido como um padrão para a derivação das escalas maiores e que são adotadas dentro do sistema tonal. As características desta escala são representadas pelos
intervalos que a compõe. Assim, a escala maior (ou modo jônio) é formada pelos seguintes intervalos: 2
a  maior, 3a  maior, 4a  justa, 5a  justa, 6a  maior e 7a  maior. As notas que definem esta escala como tonal e maior, são os intervalos de semitom entre os graus escalares 7 e 8, e de 3a  maior entre os graus escalares 1 e 3. Também o grau escalar 5, que caracteriza uma 5a  justa estabiliza a escala na sua sonoridade.







Esta constituição intervalar do modo jônio o transformou no modelo para o sistema tonal. Assim, todas as tonalidades maiores são baseadas na mesma formação escalar, somente transportadas para outras alturas.

Evidentemente que para mantermos as mesmas relações intervalares é necessário o uso de alterações que modifiquem as escalas naturais para a mesma formação do modo jônio. Assim, na escala natural de Sol maior é necessária a introdução de fá para a equivalência intervalar de meio tom entre os 7 e 8 graus escalares. Da mesma maneira, na escala natural de Ré é necessária a introdução de fá para a 3a  maior e de dó para o semitom entre os 7 e 8 graus escalares. A derivação de todas as escalas restantes maiores obedece o mesmo raciocínio, isto é, são introduzidas alterações onde for necessário para que se construa uma equivalência intervalar entre as escalas naturais e a escala maior.  Também é importante observar que parte-se de uma seqüência de derivação por 5a  justas ascendentes e descendentes. Assim a escala padrão é a de Dó maior, a primeira derivação de 5a justa ascendente é a escala de Sol maior, a próxima é situada a
uma 5a  justa ascendente desta última, ou seja Ré maior, a próxima Lá maior, Mi maior, Si maior, Fá maior, e Dó maior. Todas estas escalas tem alterações com sustenidos. As escalas maiores derivadas por 5a  justas descendentes são as que apresentam bemóis como suas alterações. Estas são as escalas de Fá, Si , Mi , lá ;
Ré ,  Sol e Dó maiores.


Para uma maior praticidade adota-se também um círculo de 5 as que mostra como estas derivações são sistematizadas:










quinta-feira, 7 de junho de 2012

EXERCÍCIOS DE CAVACO

Abaixo poderemos praticar alguns exercícios para facilitar o entrosamento com seu cavaco.

Vale lembrar que:

Dedo Indicador é o nº 1
Dedo do Palavrão é o nº 2
Dedo Médio é o nº 3
Dedo Pequenininho é o nº 4

Faça os exercícios abaixo para dar liberdade aos  seus dedos. Só assim poderá começar a tocar.

1º- Faça uma ordem de dedo 1, 2, 3, e 4 apertando nas suas respectivas casas 1, 2, 3 e 4. Faça isso na corda mais grossa.


2º- Agora faça nas ordens abaixo nas suas  respectivas casas. (Palhetada descendente, depois ascendente, depois intercalando descente e ascendente)

Faça na corda mais grossa.


1243
1324
1342
1423
1432


Faça mais ou menos 5 minutos cada ordem


3º- Faça todas essas ordens em progressão.
2134
2143
2314
2341
3124
3142
3214
3241
3412
3421
4123
4132
4213
4231
4312
4321


Não se esqueça de fazer bem devagar e tem
que sair som.
Faça 5 minutos cada um, durante 7 dias.



EXERCÍCIOS-CAVAQUINHO
Legenda: 35(4) : 3 = 3ª corda ; 5 = 5ª casa ; (4) = dedo 4
Paletadas: subindo e descendo e paletadas descendo e subindo
(dominar as duas condições)
Exercício nr 1:
Cordas soltas: 10 20 30 40 30 20
(oito paletadas cada corda) (quatro paletadas cada corda)
(duas paletadas cada corda) (uma paletada cada corda)
Exercício nr 2:
0 2 0 2 0 2 0 2 ( 2 X cada corda )
0 2 3 2 ( 2 X cada corda )
0 2 3 4 3 2 ( 1 X cada corda )
2 3 2 4 2 5 2 4 2 3 ( 1 X cada corda )
20 22 30 32 40 42 30 32 20 22
Exercício nr 3:
40(0) 41(1) 42(2) 43(2) 44(3) 45(4) 46(4)
30(0) 31(1) 32(2) 33(2) 34(3) 35(4) 36(4)
20 (0) 21(1 ) 22(2) 23(2) 24(3) 25(4) 26(4)
10 (0) 11(1 ) 12(2) 13(2) 14(3) 15(4) 16(4)
15(4) 14(3) 13(2) 12(2) 11(1) 10(0)
26(4) 25(4) 24(3) 23(2) 22(2) 21(1) 22(0)
36(4) 35(4) 34(3) 33(2) 32(2) 31(1) 32(0)
46(4) 45(4) 44(3) 43(2) 42(2) 41(1) 42(0)


Exercício nr 4:
ESCALA DE RE MAIOR
40 42 44 30 32 20 21 10 12 14 15
14 12 10 21 20 32 30 44 42 40


 


O exercício abaixo é baseado em escalas, portanto antes de tocar seria adequado você aprender na prática as escalas no cavaquinho. Além disso antes de tocar você deve calcular as notas da escala de G e montar o seu campo harmônico.

Os acordes tocados durante o exercício são os acordes de G, E7, Am, D7. Montando o campo harmônico de G, você observará que o acorde de E7 não pertence ao campo harmônico de G mas pertence ao campo harmônico de A. Portante durante esse acorde eu devo usar a escala de A.


Esta vamos continuar a desenvolver o aprendizado de solos no cavaquinho utilizando a técnica dos arpejos.

No exercício 1 nós tocamos as notas dos acordes do quadradinho de D . Exatamente da mesma forma que é montado o acorde mas tocando uma nota por vez sem deixar as cordas soarem. Veja a figura abaixo:
 




No Exercício 2 nós tocamos as notas do quadradinho de G mas nós estendemos mais o arpejo utlizando outras regiões do braço. Veja a figura abaixo:


No exercício 1 nós tocamos as notas dos acordes do quadradinho de G . Exatamente da mesma forma que é montado o acorde mas tocando uma nota por vez sem deixar as cordas soarem. Veja a figura abaixo:
No Exercício 2 nós tocamos as notas do quadradinho de G mas nós estendemos mais o arpejo utlizando outras regiões do braço. Veja a figura abaixo: